Caiu num golpe do Pix? Nova regra do Banco Central ajuda a seguir o dinheiro

Desde 26 de outubro, os bancos trocam mais informações para rastrear valores desviados. Veja como pedir a devolução e quais são os prazos.

Pessoa usando o celular para acompanhar o rastreamento de uma transação Pix

Imagem ilustrativa · Arte Nuvértia

Golpistas raramente deixam o dinheiro parado. Assim que recebem um Pix, costumam espalhar o valor por várias contas em poucos minutos, justamente para dificultar a recuperação. É contra essa estratégia que o Banco Central deu mais um passo na segunda-feira, 26 de outubro de 2026.

A partir dessa data, segundo o Terra, os bancos passaram a receber informações adicionais sobre em que etapa do rastreamento uma transação suspeita foi identificada. Na prática, isso torna mais eficiente a análise de operações fraudulentas quando o dinheiro já passou de uma conta para outra.

O que é o MED e o que muda com o 2.0

O MED (Mecanismo Especial de Devolução) é a ferramenta do Pix que permite pedir de volta o dinheiro enviado em caso de golpe ou fraude. Na versão original, o rastreamento olhava basicamente para a conta que recebeu o Pix. Se o golpista já tivesse transferido o valor para outra conta, as chances de recuperação caíam muito.

O MED 2.0 ampliou esse alcance: segundo o guia oficial do Banco Central, o processo permite rastrear e bloquear recursos suspeitos não só na conta de destino, mas também nas transações seguintes, seguindo o caminho do dinheiro.

Para quem usa o Pix no dia a dia, nada muda: não é preciso atualizar aplicativo nem fazer qualquer cadastro.

Passo a passo: como pedir o dinheiro de volta

  1. Aja o quanto antes. Quanto mais rápido, maior a chance de ainda haver dinheiro nas contas dos golpistas.
  2. Abra o aplicativo do seu banco — o banco de onde o Pix saiu — e localize a transação no extrato.
  3. Procure a opção de contestação ou de denúncia de fraude e peça a abertura do MED. As regras do Banco Central preveem que essa contestação possa ser feita por autoatendimento no aplicativo.
  4. Reúna provas: comprovante do Pix, capturas de tela do anúncio ou perfil, conversas com o golpista e qualquer outro registro.
  5. Anote o número de protocolo e acompanhe o pedido pelos canais oficiais do banco.
  6. Registre um boletim de ocorrência. Não é exigência do MED, mas é recomendável em casos de crime.

Prazos que você precisa conhecer

EtapaPrazo
Pedir a recuperação por golpeaté 80 dias após o Pix
Banco do recebedor analisar um bloqueio cautelaraté 72 horas
Bancos analisarem a notificação de fraudeaté 7 dias corridos
Devolução, quando aprovada e houver saldoaté 6 horas na etapa final

Atenção: o MED não garante a devolução

O Banco Central ressalta que acionar o mecanismo não garante o ressarcimento. A devolução depende da análise da suspeita de fraude e de ainda existir dinheiro nas contas envolvidas.

O que o MED não cobre

  • Desacordo comercial: produto que atrasou, não agradou ou veio diferente do esperado. Nesses casos, o caminho é o próprio fornecedor, o Procon ou o site consumidor.gov.br.
  • Erro de quem pagou: Pix enviado para a pessoa errada, valor digitado errado, pagamento repetido ou arrependimento.
  • Denúncias falsas.

Por que isso importa agora

Com a Black Friday marcada para 27 de novembro, golpes com lojas falsas e anúncios enganosos tendem a aumentar. Antes de pagar com Pix, confira o nome de quem vai receber na tela de confirmação, desconfie de preços muito abaixo do mercado e prefira lojas conhecidas.

Fontes: Banco Central do Brasil (Guia de implementação do MED); Terra; O Tempo.

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